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Como é a cirurgia para retirar o câncer de rim?

Como é a cirurgia para retirar o câncer de rim?

Receber a indicação de cirurgia para um câncer de rim costuma trazer uma dúvida imediata: será necessário retirar o rim inteiro?

Nem sempre. A cirurgia para tratar o câncer de rim é chamada de nefrectomia e pode retirar somente o tumor, preservando o restante do órgão, ou remover todo o rim, dependendo das características da doença.

Quando é possível retirar completamente o tumor mantendo uma parte funcional do rim com segurança, pode ser realizada a nefrectomia parcial. Já a nefrectomia radical é utilizada quando a retirada completa do rim é considerada a opção mais adequada para o tratamento.

É preciso retirar o rim inteiro quando existe câncer?

Não. Em muitos pacientes é possível retirar o tumor e preservar o restante do rim.

A decisão depende principalmente do tamanho e da localização da lesão, de sua profundidade e relação com estruturas importantes do rim, além da função renal e das condições clínicas do paciente.

Existem duas cirurgias principais:

Nefrectomia parcial

Na nefrectomia parcial, apenas o tumor e o tecido necessário ao seu redor são removidos, preservando o restante do rim.

O objetivo é conseguir o controle do câncer mantendo a maior quantidade possível de tecido renal saudável, desde que isso possa ser feito com segurança.

Nefrectomia radical

Na nefrectomia radical, o rim comprometido pelo tumor é retirado por completo.

Ela pode ser necessária quando as características do tumor tornam a preservação do órgão inadequada ou tecnicamente inviável, por exemplo em determinadas lesões volumosas, complexas ou que comprometem estruturas importantes.

Portanto, ter câncer de rim não significa automaticamente perder todo o órgão.

Como é feita a cirurgia para retirar o câncer de rim?

A forma como a cirurgia acontece depende de ser realizada uma nefrectomia parcial ou radical.

Na nefrectomia parcial, o cirurgião localiza o tumor, realiza sua retirada e preserva o restante do órgão. Durante o procedimento, pode ser necessário controlar temporariamente o fluxo sanguíneo renal. Depois que a lesão é removida, são controlados possíveis sangramentos e o rim é reconstruído quando necessário.

Na nefrectomia radical, os vasos sanguíneos e o ureter relacionados ao rim são controlados e o órgão comprometido é retirado.

O procedimento pode ser realizado por cirurgia aberta ou por abordagens minimamente invasivas, como laparoscopia e cirurgia robótica. A escolha da técnica depende das características do tumor, da anatomia e das condições de cada paciente.

Como o médico decide se retira somente o tumor ou todo o rim?

Sempre que possível, a preferência é pela nefrectomia parcial, retirando apenas o tumor e preservando o máximo possível de rim saudável e de sua função.

A nefrectomia radical, com retirada de todo o rim, geralmente fica reservada para situações em que a preservação de um rim funcionante após a retirada do tumor é pouco viável ou quando a nefrectomia parcial apresenta complexidade ou risco cirúrgico muito elevados.

Para tomar essa decisão, são avaliados principalmente:

  • tamanho e localização do tumor;
  • profundidade do tumor dentro do rim;
  • proximidade com os vasos sanguíneos e estruturas internas do rim;
  • quantidade de tecido renal que poderá ser preservada;
  • complexidade e risco da cirurgia;
  • função dos rins e condição do outro rim;
  • condições clínicas do paciente.

 

Por isso, o tamanho do tumor não determina sozinho a necessidade de retirar todo o rim. Tumores maiores podem, em alguns casos, ser tratados com nefrectomia parcial, enquanto tumores menores e de localização complexa podem tornar a preservação renal mais difícil.

A cirurgia para câncer de rim pode ser robótica?

Sim. Tanto a nefrectomia parcial quanto a nefrectomia radical podem ser realizadas por cirurgia robótica, por meio de pequenas incisões no abdome.

A cirurgia robótica tem papel especialmente importante na nefrectomia parcial, pois oferece maior precisão para retirar o tumor, preservar o máximo possível de tecido renal saudável e realizar a reconstrução do rim.

Em muitos casos, essa abordagem permite realizar cirurgias complexas de preservação renal de forma minimamente invasiva. A indicação, entretanto, depende das características do tumor e de cada paciente.

Saiba mais: Cirurgia robótica para câncer de rim.

Quanto tempo dura uma cirurgia para retirar o câncer de rim?

Em geral, uma cirurgia para câncer de rim dura cerca de 2 a 4 horas, mas esse tempo pode variar de acordo com a complexidade do caso.

Na nefrectomia radical, em que todo o rim é retirado, a cirurgia tende a ser mais padronizada. Já na nefrectomia parcial, o cirurgião precisa retirar o tumor preservando o máximo possível de tecido renal saudável e, em seguida, reconstruir o rim.

Tumores maiores, profundos ou próximos aos vasos sanguíneos e às estruturas internas do rim podem tornar o procedimento mais complexo e aumentar sua duração.

Por isso, o tempo cirúrgico depende do tipo de nefrectomia, tamanho e localização do tumor, anatomia do paciente e complexidade da reconstrução renal, sendo estimado individualmente após a avaliação dos exames.

Quantos dias o paciente fica internado?

Após uma cirurgia minimamente invasiva para câncer de rim, como a nefrectomia robótica ou laparoscópica, a internação costuma ser curta. Em pacientes com boa evolução, a alta pode ocorrer já no dia seguinte à cirurgia, sendo comum uma permanência de 1 a 3 dias.

A alimentação e as caminhadas geralmente são retomadas precocemente. A alta é considerada quando há bom controle da dor, alimentação adequada, capacidade de caminhar e condições clínicas seguras.

Cirurgias mais complexas, procedimentos abertos ou intercorrências durante a recuperação podem exigir um período maior de internação.

Como é a recuperação depois da cirurgia de câncer de rim?

A cirurgia pode ser realizada por duas principais vias de acesso: aberta ou minimamente invasiva (laparoscópica ou robótica).

Na cirurgia aberta, geralmente realizada por lombotomia, a incisão pode causar dor importante no pós-operatório e está associada a uma recuperação mais lenta, que costuma levar cerca de 4 a 8 semanas.

Por isso, na maioria dos casos, preferimos as abordagens laparoscópica ou robótica. Além das incisões menores, essas técnicas causam menor manipulação e trauma dos tecidos e órgãos internos, proporcionando geralmente menos dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Muitos pacientes retomam atividades leves em poucos dias e retornam ao trabalho em aproximadamente 2 a 4 semanas.

O tempo de recuperação pode variar conforme a extensão da cirurgia, as condições clínicas e a evolução de cada paciente.

O que acontece com o tumor depois da cirurgia?

O material retirado durante a cirurgia é encaminhado para análise anatomopatológica.

É essa avaliação que permite determinar com maior precisão características importantes da doença, como o tipo histológico do tumor e outros achados relevantes para o estadiamento e para a estimativa do risco de recorrência.

Essas informações ajudam o médico a definir como será realizado o acompanhamento depois da cirurgia.

Em muitos pacientes com doença localizada e completamente removida, o seguimento periódico passa a ser a principal conduta após o tratamento cirúrgico.

É possível viver normalmente depois da retirada de um rim?

Sim. Quando o outro rim é saudável e apresenta boa função, é possível levar uma vida normal com apenas um rim. O rim remanescente se adapta e consegue desempenhar adequadamente as funções necessárias ao organismo.

Mesmo assim, preservar o máximo possível de tecido renal é importante para reduzir o risco de perda de função renal ao longo da vida. Por isso, sempre que tecnicamente possível e oncologicamente seguro, priorizamos a nefrectomia parcial, retirando apenas o tumor e preservando o restante do rim.

Após a cirurgia, o acompanhamento inclui avaliação da função renal, pressão arterial e outros fatores que podem afetar a saúde dos rins.

Na prática clínica

Receber o diagnóstico de um tumor renal naturalmente traz muitas dúvidas e preocupações. Uma das perguntas que mais escuto no consultório é: “Vou precisar retirar o rim inteiro?”

Essa decisão é individualizada e não depende apenas do tamanho do tumor. Analiso cuidadosamente a tomografia ou a ressonância para entender sua localização e profundidade, a relação com os vasos e estruturas internas do rim e, principalmente, quanto de tecido renal saudável pode ser preservado com segurança.

Meu objetivo é buscar o melhor equilíbrio entre tratar o câncer com segurança e preservar o máximo possível da função do rim. Sempre que a nefrectomia parcial for tecnicamente possível e oncologicamente segura, procuro preservar o rim, planejando a cirurgia de acordo com as características de cada paciente.

 

Perguntas Frequentes

Não necessariamente. A conduta depende das características do tumor e do paciente. Algumas pequenas massas renais podem, em situações selecionadas, ser acompanhadas ou tratadas por métodos ablativos. Quando a cirurgia é indicada, pode ser realizada uma nefrectomia parcial ou radical.

Não. Sempre que possível, buscamos preservar o rim, realizando a nefrectomia parcial, que retira o tumor e mantém o restante do órgão. A retirada completa do rim, chamada nefrectomia radical, é indicada quando a preservação não é tecnicamente segura ou adequada para o tratamento do câncer. Essa decisão é individualizada e considera principalmente a localização e a complexidade do tumor, além da função dos rins e das condições de cada paciente.

Na nefrectomia parcial, apenas o tumor é removido e o restante do rim é preservado. Na nefrectomia radical, o rim comprometido é retirado por completo. A escolha busca equilibrar o controle do câncer com a preservação da função renal.

Não existe um tempo único. A duração depende do tipo de nefrectomia, da localização e da complexidade do tumor, da técnica utilizada e das características de cada paciente. No geral, a cirurgia apresenta de 2 a 4 horas de duração.

A recuperação varia conforme o procedimento e a evolução individual. Atividades leves costumam ser retomadas progressivamente, enquanto esforços maiores devem aguardar a cicatrização completa dos tecidos, que ocorre cerca de 30 dias após o procedimento.

Sim. Pessoas com um rim saudável geralmente conseguem manter uma vida normal. Mesmo assim, é importante acompanhar a função renal e controlar fatores como pressão arterial ao longo do tempo.

Sim, pode ocorrer recorrência do câncer renal, mas o risco varia de acordo com as características do câncer, como estágio e achados anatomopatológicos. Por isso, o acompanhamento periódico continua sendo necessário mesmo após a retirada completa do tumor.

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CRM-SP 157.364 • RQE 80.779 • Membro Titular da SBU

Dr. Rafael Haddad Astolfi é urologista com formação pela USP, UNIFESP e Duke University (EUA), com atuação em cirurgia robótica, urologia oncológica, endourologia e tratamentos minimamente invasivos. Sua prática é dedicada ao tratamento de doenças urológicas complexas, associando experiência clínica, produção científica e tecnologia de ponta para oferecer um cuidado individualizado e baseado em evidências.

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