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Início » Endometriose profunda com acometimento urinário
A endometriose profunda com acometimento urinário acontece quando lesões de endometriose infiltram estruturas do sistema urinário, principalmente bexiga e ureteres. É uma forma mais complexa da doença e pode causar dor pélvica, sintomas urinários e, em alguns casos, comprometer silenciosamente a função dos rins.
Nem sempre a endometriose urinária causa sintomas evidentes. Por isso, quando há suspeita de endometriose profunda, a avaliação especializada é importante para identificar a extensão da doença e definir o tratamento mais adequado.
A endometriose profunda com acometimento urinário é uma forma de endometriose em que as lesões atingem órgãos do sistema urinário. Pode envolver a bexiga, os ureteres e, mais raramente, outras estruturas. O tratamento depende da localização das lesões, dos sintomas, do impacto na qualidade de vida e do risco para os rins.
Principais pontos:
A endometriose profunda com acometimento urinário é uma forma de endometriose em que o tecido semelhante ao endométrio infiltra a parede da bexiga, os ureteres ou outras estruturas do trato urinário.
A bexiga é o órgão urinário mais frequentemente acometido, seguida pelos ureteres. Embora menos comum, a endometriose ureteral merece atenção especial, pois pode provocar obstrução urinária, dilatação do rim e perda progressiva da função renal, muitas vezes sem causar sintomas.
Na maioria das pacientes, o acometimento urinário está associado a outros focos de endometriose profunda na pelve, como os ligamentos uterossacros, o septo retovaginal, o septo vesicouterino e o intestino.
Não exatamente. Endometriose na bexiga é uma forma específica de endometriose urinária. Já endometriose profunda com acometimento urinário é um termo mais amplo, que inclui lesões na bexiga, nos ureteres e em outras partes do sistema urinário.
Em resumo:
Essa diferença é importante porque os sintomas, os riscos e o tratamento podem mudar conforme o local atingido.
Pode ser. A gravidade depende principalmente do órgão acometido, da extensão da doença e da presença de obstrução do trato urinário.
Quando a endometriose compromete os ureteres, pode dificultar a passagem da urina dos rins para a bexiga, causando hidronefrose (dilatação do rim) e perda progressiva da função renal. Em muitos casos, esse comprometimento pode ocorrer de forma silenciosa, sem sintomas evidentes.
Já a endometriose da bexiga costuma provocar sintomas mais perceptíveis, como dor ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência miccional ou sangue na urina durante o período menstrual.
Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para preservar a função do trato urinário e evitar complicações.
Os sintomas da endometriose urinária variam conforme o órgão acometido. A endometriose da bexiga costuma causar sintomas urinários mais evidentes, enquanto a endometriose ureteral pode permanecer assintomática por longos períodos.
Os sintomas mais comuns incluem:
Os sintomas urinários costumam piorar durante o período menstrual, o que aumenta a suspeita de endometriose.
A endometriose da bexiga geralmente provoca sintomas relacionados ao enchimento e ao esvaziamento da bexiga, podendo ser confundida com infecção urinária ou síndrome da bexiga dolorosa.
A presença de dor ao urinar, aumento da frequência urinária ou sangue na urina que pioram durante a menstruação é altamente sugestiva da doença e deve motivar investigação especializada.
A endometriose ureteral pode obstruir parcial ou completamente a passagem da urina do rim para a bexiga. Diferentemente da endometriose da bexiga, muitas pacientes apresentam poucos sintomas ou permanecem completamente assintomáticas.
Quando presentes, os sintomas podem incluir dor lombar, dor pélvica, infecções urinárias de repetição ou alterações em exames de imagem. Em casos mais avançados, pode ocorrer hidronefrose (dilatação do rim) e perda progressiva da função renal.
Por esse motivo, toda paciente com suspeita de endometriose profunda deve ser avaliada quanto ao possível acometimento dos ureteres.
Sim. A endometriose urinária pode comprometer os rins quando a endometriose ureteral provoca obstrução da passagem da urina entre o rim e a bexiga. Como consequência, pode ocorrer hidronefrose (dilatação do rim) e, quando o problema não é tratado, perda progressiva da função renal.
Um dos maiores desafios é que a endometriose ureteral pode evoluir de forma silenciosa, sem causar dor ou outros sintomas importantes, mesmo na presença de comprometimento renal.
Por esse motivo, a avaliação da função renal e a realização de exames de imagem são fundamentais sempre que houver suspeita de acometimento dos ureteres.
A suspeita de endometriose urinária deve ser considerada principalmente em mulheres com endometriose profunda que apresentam sintomas urinários relacionados ao ciclo menstrual ou alterações sugestivas em exames de imagem.
Os principais sinais de alerta incluem:
É importante lembrar que a endometriose ureteral pode permanecer assintomática, mesmo quando há comprometimento da função renal. Por isso, pacientes com endometriose profunda devem ser avaliadas quanto ao possível acometimento do trato urinário sempre que houver suspeita clínica ou alterações nos exames.
O diagnóstico da endometriose profunda com acometimento urinário é baseado na história clínica, no exame físico e em exames de imagem realizados por profissionais com experiência em endometriose profunda.
A investigação pode incluir:
Quando há suspeita de acometimento dos ureteres ou dos rins, exames complementares, como urotomografia ou urorressonância, podem ser necessários para avaliar a extensão da doença e o grau de obstrução urinária.
Atualmente, na maioria dos casos, o diagnóstico pode ser estabelecido sem cirurgia, por meio da associação entre avaliação clínica e exames de imagem adequadamente realizados.
A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve são os principais exames para o diagnóstico da endometriose urinária e da endometriose profunda. A qualidade desses exames depende da utilização de protocolos específicos e da experiência do profissional que os realiza.
A ultrassonografia das vias urinárias é fundamental para avaliar os rins e identificar hidronefrose quando há suspeita de endometriose ureteral. Em situações específicas, exames como urotomografia, urorressonância ou cistoscopia podem complementar a investigação.
Nem sempre. O exame de urina pode mostrar sangue na urina (hematúria), principalmente durante o período menstrual, além de ajudar a descartar infecção urinária e outras causas de sintomas urinários. No entanto, ele não confirma nem exclui o diagnóstico de endometriose urinária.
Quando há suspeita de endometriose profunda com acometimento urinário, o diagnóstico é baseado na avaliação clínica e em exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, a ressonância magnética da pelve e, quando indicado, exames para avaliação do trato urinário.
A endometriose urinária pode causar sintomas semelhantes aos da infecção urinária, como dor ou ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência miccional e dor na parte baixa do abdome.
A principal diferença é que, na endometriose, os sintomas costumam piorar durante o período menstrual e os exames de urina frequentemente não confirmam infecção bacteriana. A suspeita também é maior em mulheres com diagnóstico prévio de endometriose profunda.
O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica, exames de urina para excluir infecção e exames de imagem específicos para identificar o acometimento da bexiga ou dos ureteres.
Além da infecção urinária, outras condições, como cistite intersticial, bexiga hiperativa e cálculos urinários, também podem causar sintomas semelhantes. Por esse motivo, é fundamental que a investigação seja realizada por um urologista com experiência em endometriose urinária, capaz de reconhecer os diferentes diagnósticos, solicitar os exames mais adequados e definir o tratamento de forma individualizada
tratamento depende da localização da endometriose, da extensão das lesões, da intensidade dos sintomas, do risco de comprometimento do trato urinário e dos objetivos da paciente.
As principais opções incluem:
O plano terapêutico deve ser individualizado e, sempre que possível, definido por uma equipe multidisciplinar composta por ginecologista especialista em endometriose e urologista.
O tratamento clínico pode ser indicado em pacientes selecionadas, principalmente quando não há obstrução do ureter, dilatação do rim, perda de função renal ou sintomas importantes.
Pode incluir:
O objetivo é controlar os sintomas, reduzir a atividade da doença e preservar a qualidade de vida. Entretanto, quando há comprometimento do ureter ou risco para a função renal, o tratamento clínico isolado geralmente não é suficiente.
A cirurgia pode ser indicada quando há:
O planejamento cirúrgico deve ser realizado com base em exames detalhados, permitindo definir a melhor estratégia para remover completamente as lesões e preservar a função dos órgãos urinários
O tratamento cirúrgico depende da profundidade da infiltração da parede da bexiga.
Lesões superficiais podem, em casos selecionados, ser tratadas por cistoscopia. Já quando a endometriose infiltra o músculo da bexiga, geralmente é necessária a ressecção parcial da bexiga (cistectomia parcial), realizada por cirurgia laparoscópica, robótica ou, mais raramente, aberta.
O objetivo é remover completamente a endometriose, aliviar os sintomas e preservar a capacidade e a função da bexiga.
A endometriose ureteral pode causar estreitamento do ureter, obstrução urinária e perda progressiva da função do rim, muitas vezes sem provocar sintomas.
O tratamento cirúrgico depende da localização e da extensão da doença e pode incluir:
Esses procedimentos são complexos e devem ser realizados por equipes experientes em endometriose profunda e reconstrução do trato urinário. Em muitos casos, a cirurgia robótica oferece excelente visualização das estruturas pélvicas e maior precisão na dissecção e reconstrução urinária, favorecendo a preservação da função do ureter e do rim.
A endometriose é uma doença crônica e, por isso, não existe uma cura definitiva para todas as pacientes. O tratamento tem como objetivos aliviar os sintomas, remover as lesões quando indicado, preservar a função dos órgãos urinários, melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de progressão da doença.
Nos casos em que a cirurgia é indicada, a remoção completa das lesões pode proporcionar excelente controle da doença e melhora significativa dos sintomas. No entanto, algumas pacientes podem apresentar recorrência da endometriose ou persistência de sintomas ao longo do tempo, tornando o acompanhamento médico fundamental.
O tratamento da endometriose com acometimento do trato urinário deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar. O ginecologista especializado em endometriose coordena o tratamento da doença, enquanto o urologista é o especialista responsável pela avaliação e pelo tratamento das lesões que acometem a bexiga, os ureteres e outros órgãos do sistema urinário.
Em casos mais complexos, a equipe também pode incluir:
A atuação integrada desses especialistas permite um planejamento cirúrgico mais preciso, maior segurança durante o tratamento e melhores resultados para a paciente.
A endometriose profunda pode estar associada à dificuldade para engravidar, principalmente quando há acometimento dos ovários, das tubas uterinas, inflamação pélvica extensa ou aderências. O acometimento do trato urinário, isoladamente, não é considerado uma causa de infertilidade, mas frequentemente faz parte de um quadro de endometriose profunda mais extensa.
Nas pacientes com desejo de gestação, o planejamento do tratamento deve ser individualizado e levar em consideração fatores como idade, reserva ovariana, extensão da doença, intensidade dos sintomas e o planejamento reprodutivo.
Sempre que necessário, o tratamento deve ser realizado em conjunto com especialistas em reprodução humana, buscando preservar a fertilidade e maximizar as chances de gravidez.
A avaliação por uma equipe especializada é recomendada sempre que houver suspeita de endometriose profunda ou comprometimento do trato urinário, especialmente nas seguintes situações:
A avaliação precoce é fundamental porque a endometriose pode comprometer os ureteres de forma silenciosa, causando obstrução urinária, dilatação do rim e perda progressiva da função renal, muitas vezes antes do aparecimento de sintomas importantes.
A endometriose profunda com acometimento urinário é uma forma complexa da doença que pode comprometer a bexiga, os ureteres e, em alguns casos, levar à perda progressiva da função renal, muitas vezes de forma silenciosa.
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para aliviar os sintomas, preservar o trato urinário e evitar complicações. Como cada paciente apresenta características e extensão da doença diferentes, o tratamento deve ser individualizado e planejado por uma equipe multidisciplinar experiente.
Na presença de sintomas urinários relacionados ao ciclo menstrual, dor pélvica persistente ou alterações sugestivas em exames de imagem, a investigação especializada não deve ser adiada.
Pode ser. A gravidade depende do órgão acometido e da extensão da doença. A endometriose da bexiga costuma causar dor e sintomas urinários que comprometem a qualidade de vida. Já a endometriose ureteral merece atenção especial, pois pode obstruir a passagem da urina e provocar hidronefrose e perda progressiva da função renal.
Sim. A endometriose da bexiga é a forma mais comum de endometriose urinária. No entanto, a doença também pode acometer os ureteres e, mais raramente, outras estruturas do trato urinário, como rins e uretra
A endometriose da bexiga pode causar dor ou ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência miccional, dor na parte baixa do abdome e, em alguns casos, sangue na urina. Os sintomas costumam piorar durante o período menstrual.
Nem sempre. A endometriose ureteral pode causar dor lombar, mas também pode evoluir de forma silenciosa, mesmo quando provoca obstrução urinária e hidronefrose. Por isso, a investigação com exames de imagem é fundamental.
Sim. A endometriose urinária, principalmente quando acomete a bexiga, pode causar sangue na urina, geralmente durante o período menstrual.
A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve são os principais exames para diagnosticar a endometriose urinária. A ultrassonografia das vias urinárias também é importante para avaliar rins e ureteres.
Nem sempre. O tratamento depende da extensão da doença, dos sintomas e do acometimento do trato urinário. A cirurgia pode ser indicada quando há obstrução urinária, risco para os rins, dor importante ou lesões profundas.
Sim. Isso pode acontecer quando a endometriose ureteral dificulta a passagem da urina dos rins até a bexiga, causando dilatação dos rins. Quando essa obstrução não é tratada, pode ocorrer perda progressiva e irreversível da função renal.
O tratamento é realizado por uma equipe multidisciplinar, geralmente formada por ginecologista especializado em endometriose e urologista. Quando há acometimento da bexiga, ureteres ou rins, o urologista é fundamental na avaliação e no tratamento cirúrgico da doença.
A endometriose é uma doença crônica e não tem cura definitiva. O tratamento pode controlar os sintomas, preservar a função da bexiga e dos rins e, quando necessário, remover as lesões por meio da cirurgia. Mesmo após o tratamento, o acompanhamento médico continua sendo importante.
CRM-SP 157.364 • RQE 80.779 • Membro Titular da SBU
Dr. Rafael Haddad Astolfi é urologista com formação pela USP, UNIFESP e Duke University (EUA), com atuação em cirurgia robótica, urologia oncológica, endourologia e tratamentos minimamente invasivos. Sua prática é dedicada ao tratamento de doenças urológicas complexas, associando experiência clínica, produção científica e tecnologia de ponta para oferecer um cuidado individualizado e baseado em evidências.
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